QUANDO A MONTANHA (DIREÇÃO SBN) PARIU UM RATO
01-01-2015 17:18
Exmo. Senhor Presidente da Mesa do Conselho Geral
Exma. Direção do Sindicato Bancários do Norte
Senhoras e Senhores Conselheiros
Bons dias a todos e a todas,
Gostaria de saudar a eleição do Conselheiro Guerra da Fonseca para líder dos TSD´s e ao mesmo tempo lamentar, que a maioria dos seus apoiantes sejam aqueles a quem tenho dirigido as minhas críticas a partir deste púlpito.
Caro Mário Mourão,
Como Conselheiro não posso deixar de lamentar o tom imprimido à crispação do passado dia 19 de Agosto aquando da discussão da proposta de aquisição do empreendimento para o Trofa Sénior, fazendo-me lembrar "o estado de embriaguez" do então ministro da Economia Pires de Lima na sua intervenção na Assembleia da Republica.
Vezes sem conta te ouvi dizer que foste tu que ganhaste as eleições, pois bem não te podes é esquecer que a oposição também foi a votos e também foi merecedora da confiança demonstrada pela classe, em sinal de protesto pelas políticas assumidas pelas tendências TSS, TSD e TIDC.
Como bem sabes em democracia não vale tudo, a oposição também tem o direito à diferença e à indignação. A oposição tem a obrigação de não ser indiferente aos interesses da classe que os elegeu, por isso no SBN não existem bancários Bons e Bancários Maus, existem bancários com diferentes opiniões que merecem ser respeitadas e, na minha opinião a culpa é tua e da direção a que presides porque sistematicamente se recusam a prestar informações.
Mário Mourão, tu melhor do que eu sabes, que os nossos inimigos são aqueles que compõem as tendências que suportam a direção a que presides, os tais que depois de votarem favoravelmente a aquisição do novo espaço para acolher o empreendimento Trofa Saúde, se questionam, que não sabem porque é que o SBN vai comprar mais um elefante branco.
Caros Conselheiros,
Depois de o presidente ter decretado
"TOLERÂNCIA ZERO" para os elementos das estruturas sindicais a tempo inteiro, no passado dia 28 de março, convocando verbalmente para o dia seguinte os líderes das tendência que suportam a Direção do SBN para ratificarem a sua deliberação, de retirar o tempo inteiro da Coordenadora da Comissão Sindical do BCP, Cristina Miranda, e dar uma segunda oportunidade a todos os outros que se encontram debaixo do chapéu das tendências que suportam a direção, demonstrando total fraqueza na ação e nos atos e em desrespeito pelos Estatutos.
Talvez se encontre com "Alzheimer" o coordenador da TSS e presidente do SBN, Mário Mourão, já que durante anos utilizou como chavão "não foram os bancários que os elegeram, portanto só têm o que merecem" referindo-se aos elementos eleitos a tempo inteiro para as estruturas sindicais. Ora bem os associados do BCP por entenderem que a Cristina Miranda era a pessoa que melhor defendia os seus interesses, junto da direção a elegeram como sua representante, justificando desta forma o 1% que descontam mensalmente para a atividade sindical no seu vencimento.
Decretar tolerância zero foi show off, de forma a serenar os ânimos da oposição, porque de facto ninguém, nem mesmo eu, nem os elementos que compõem a direção levaram a sério as suas ameaças, prova disso é que nove meses depois a criança continua órfã para mau agoiro do SBN.
Sabes Mário Mourão, quem tem necessidade de recorrer a ameaças para se afirmar, está longe de ser um bom líder, tu mais uma vez, e a direção a que presides, são sinónimo disso mesmo, prova que as Comissões Sindicais passaram a abrir a porta quando querem e bem lhes apetece:
Se abrem de manhã, de tarde estão fechados ou vice-versa;
Ou então abrem portas das 10h às 12h e das 14h30 às 17h é que nem o horário dos serviços cumprem sabes porquê?
"é que muitos vêm para o sindicalismo para fugirem a processos disciplinares" como tu próprio afirmaste, e eu reafirmo, Que saudades eu tenho do Adriano Venceslau como presidente do SBN, com ele estas aves raras já há muito que se encontravam no seu local de trabalho.
Não basta substituir o famoso amarelo pelo azul, é necessário uma alteração de paradigma, é urgente que se cumpra o Regulamento da Estrutura Sindical e as propostas sufragadas pela classe:
O SBN não pode, não deve, continuar a suportar custos que não são seus, e sistematicamente lhe são imputados.
É urgente exigir o retorno dos mais de 200.000€ usados em nome de uma atividade que não existe, em pagamento de ordenados, subsídios de transporte, de caixa, de turno, de refeição e, do pagamento de despesas de dirigentes que por via da partilha de carro fazem questão de almoçar ou jantar a Braga ou Barcelos.
Por tudo isto não estranho, que sejamos pouco mais de 14.000 associados, com mais recursos humanos e meios financeiros afetados, garantindo desta forma mais tempo: Para o basquete - para o futebol - para o king - para o ginásio e Gestão empresas, enquanto os vossos eleitores sofrem na pele as mais variadas pressões e ameaças.
Para uma classe que não tem aumentos salariais desde 2010 posso concluir que ser profissional do sindicalismo, é a única forma de obter aumento salarial sem que se aumente às despesas com a saúde. Hoje a maioria da classe encontra-se mergulhada em antidepressivos e o n.º de tentativas suicídios e suicídios concretizados a aumentar, os nossos associados merecem muito mais do que aquilo que a grande maioria de vós faz.
Fica para a memória a utilização da viatura afeta ao "SAMS" em que um só dirigente lhe enfiou mais de 30.000km só num ano.
Caros/as Conselheiros (as),
O sindicalismo de proximidade é aquele que premeia quem nada faz, não aquele que diariamente capta ou mantém associados. A direção na pessoa do seu presidente esqueceu-se da promessa feita durante o mandato anterior, em que assumiu em nome desta apresentar uma proposta, com o objetivo de premiar os elementos afetos às CSE ou CSD, que mais se distinguissem pela captação de associados cujo regulamento seria apresentado a este Conselho Geral para aprovação.
O sindicalismo de proximidade é aquele que na hora de decidir entre o Congresso dos TSDS no Algarve, suportando do seu bolso todas as despesas, ou ir a Bruxelas e receber por dois dias e meio de férias, o que a maioria dos portugueses recebe num mês de salário.
O verdadeiro sindicalismo de proximidade é aquele que apela à classe para se manifestar contra a revisão do ACT, como manobra de diversão à moda do PCP, cujo objetivo é atirar areia para os olhos da classe, para logo virem a terreiro dizer, "Se não fossemos nós, o acordo seria bem pior". Pena é, que esses feudais manipuladores não tenham mobilizado a classe e o Conselho-geral, obrigando a direção a cumprir com uma deliberação aprovada por unanimidade, refiro-me à criação da célebre Comissão de Acompanhamento de revisão do ACT, cuja proposta suscitou dúvidas ao presidente da direção sobre quem foi o seu autor.
Os pseudossindicalistas defensores da verdade deveriam ter mobilizado os trabalhadores, quando em sede de concertação social a UGT assinou com o governo e patronato a "Lei n.º 27/2014, de 8 de Maio" que procedeu à sexta alteração do Código do Trabalho e cujas alterações entraram em vigor no passado dia 1 de Junho, com graves consequências para os trabalhadores.
Car@s conselheiros,
Com a nacionalização em 2008 de Banco Português de Negócios e em 2009 com a falência do Banco Privado Português o sistema financeiro sofreu um rude golpe, a culpa prepara-se para morrer solteira por falta de supervisão do Banco de Portugal assim como dos próprios sindicatos, que nunca se deram ao trabalho de analisarem os Relatórios e Contas da banca, mesmo antes de esta declarar o colapso e quando os donos disto tudo, Ricardo Salgado e Santos Ferreira, apoiados por Fernando Ulrich, disseram que a banca não precisava de injeção de capital da
TROIKA quando o nó já apertava na garganta, para depois negociarem com os sindicatos e febase cortes salariais no vencimento dos colegas do BCP com promessas de majoração de 5% em 2017, pura utopia sindical. Aliás tal como a transferência dos fundos de pensões para a Segurança Social por um período de dez anos conforme memorando de entendimento, cedendo aos interesses dos banqueiros e de um estado que é tudo menos de direito.
A perda de influência do PC no Conselho da Revolução em 1975 e no governo conduziu à abolição da lei da unicidade sindical e permitiu a constituição da União Geral dos Trabalhadores, controlada por socialistas e pelos partidos à sua direita tendo como origem sindicatos (banca, seguros, etc.). A CGTP, onde o PC mantém o seu controlo absoluto permite apenas uma representação minoritária e controlada de socialistas, católicos e outros.
Apesar de a CGTP, em teoria, ser mais forte quer em número de sindicato filiados quer em militantes, a UGT funciona como braço armado dos dois partidos encontra sempre forma de fazer acordo e rotativamente assumem o poder - PS e PSD beneficiando este último largamente da sua posição de interlocutor privilegiado do governo e do patronato, mas ambos centralistas e burocráticos, "correias de transmissão" dos partidos políticos.
Portanto hoje não existe um movimento sindical alternativo, pelo que é urgente um sindicalismo libertário sem influência no mundo do trabalho,
"as tais correias de transmissão dos partidos políticos" para fazer face a novos desafios que se avizinham, com a globalização da banca e publicação da lei n.º 27/2014, de 8 de Maio, teremos por certo mais precariedade nas já frágeis relações laborais.,
Nos sindicatos verticais, e no SBN em concreto, temos um défice muito grande de sindicalistas libertários como Catarina Eufémia, Agostinho Roseta e Kalidás Barreto por falta de escola sindical ou por falta de formação, contrastando com o excedente de dirigentes sindicais.
A partir da década de 80 e quando os seus dirigentes passavam mais tempo entretidos com questões político-partidárias, já era reconhecida e manifesta insatisfação da classe sobre algumas matérias como SAMS. A inércia das tendências TSS, TSD e TIDC permitiu a criação daquele que é hoje o nosso principal opositor, o Sindicato Quadros, hoje com mais de 17.000 associados e contrariando as orientações UGT, permitiram a criação do Sintaf.
Car@s conselheiros,
Antes de ter iniciado esta minha intervenção entreguei ao Presidente da Mesa da Assembleia-geral e ao líder da Tendência Bancários de Portugal o meu pedido de renúncia ao mandato para o qual tinha sido eleito pela ex-lista I, encerrando desta forma um ciclo 24 anos de participação ativa na construção daquele que é o nosso sindicato.
Agradeço a todos que ao longo destes 24 anos de militância sindical me ajudaram a crescer e a aprender, parto com sentido de dever cumprido (!?). Parto com mágoa, uma vez que os associados não são todos tratados de igual forma, por isso a minha decisão é irrevogável, não à moda de Paulo Portas, mas porque depois da célebre frase proferida pelo presidente do SBN Mário Mourão "alguns veem para o sindicalismo com o objetivo de fugirem a processos disciplinares" entendi ter chegado então o momento de fechar a porta. Se para a direção vender o ACT custa ao Montepio, por cada trabalhador transferido para Lisboa, 500€ mensais, defender o mesmo ACT custa-me em média mensalmente 275€, em n.ºs redondos estou a falar de qualquer coisa como 12,800€ perdidos até ao momento, com três filhas e mulher cujo vencimento não excede os 485€ mensais.
Parto com mágoa, porque mesmo depois de ter proporcionado ao SBN um instrumento de trabalho - parecer elaborado pelo Prof. Jorge Leite da Universidade de Coimbra, no valor de 7.500€ e pago integralmente com a quotização dos trabalhadores para a Comissão de Trabalhadores, o silêncio da direção continua ensurdecedor.
Contudo e antes de partir gostaria de vos deixar algumas reflexões.
1 - Para quando a regularização das verbas suportadas pelo SBN com o pagamento de vencimentos dos associados do Finibanco que aderiram à greve em 2011, conforme deliberação deste Conselho Geral. Dos vinte envolvidos apenas uma associada devolveu a referida verba, notem bem estamos a falar do ano de 2012.
2 - Quantos de vós têm conhecimento que o SBN durante o mandato 2009-2013 para a UGT Porto, se constituiu como entidade patronal de uma dirigente do próprio Sindicato. Ver BTE n.º 48 de 29.12.2009.
3 - Para quando a venda da Quinta de Pais - ou a revisão do acordo de cedência?
4 - Para quando a constituição de uma equipa multidisciplinar, constituída pelas tendências com assento no Conselho Geral para rever a proposta de estatutos do sindicato único que tem sido discutidas entre sindicatos?
- Para quando a constituição de uma equipa multidisciplinar, para dissolver a Febase, assim que esteja constituído o Sindicato Único?
Posto isto pergunto:
Será que a maioria deste Conselho Geral tem exercido o seu mandato sem ser a tal correia de transmissão das tendências e dos partidos políticos de que são simpatizantes ou militantes?
Não resisto a perguntar-vos:
Será que a Direção e a maioria das Comissões Sindicais justificam a contribuição de 1,% do vencimento dos seus associados?
Porto, 30 de dezembro de 2014
O associado 24188 e Conselheiro
Mário Alves